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larissa cavaton
Projeto de Direção de Arte
Feito durante o curso de Direção de Arte da Academia Internacional de Cinema no ano e 2021.
Projeto utilizou o roteiro do curta-metragem "O tempo que leva" da Cíntia Domit Bittar.
CONCEITO POÉTICO
O tempo que leva é um curta-metragem que aborda uma realidade futurística na cidade de Florianópolis, onde está programado o dia para o fim das cidades litorâneas ao redor do mundo. Uma jovem, Jamilla, que no último dia de sua vida, em meio ao calor insuportável da cidade, busca o conserto em meio a uma cidade vazia, onde faz o movimento contrário das pessoas que fogem ao seu redor e que temem o fim do mundo. Em meio disso, conhece Marcos, um técnico de eletrodomésticos que anota o tempo que leva para fazer as coisas cotidianas em seu caderno. O filme retrata uma realidade paralela, no que tange exprimir o enfrentamento sobre os medos que nos cercam e como lidamos quando nossas vivências são determinadas por um ponto final, como o fim do mundo. Jamila e Marcos se relacionam na narrativa, ao passar juntos os últimos momentos da possível data limite.





CONCEITO ESTÉTICO
A construção desse universo de fim do mundo se dá por um estilo retro futurístico, no que há presença de objetos eletrodomésticos vintages e objetos pessoais, como os óculos de Marco, o modelo steampunk. Estes óculos nos remetem ao gênero presente na literatura de ficção cientifica, por ser marcada pelo uso de tecnologias mais robustas, porém são avançadas em relação à modernidade, marcado por uma nostalgia de um tempo do passado ao olhar para o futuro. É possível perceber que as tecnologias mais antigas sobrevivem em meio aos eletrodomésticos atuais devido aos caos que se perpassa pela cidade, em que essas tecnologias estragam facilmente. Em relação aos outros cenários, um ambiente em que se percebe é o calor insuportável da cidade litorânea contemporânea, com intervenções que demonstram o caos que atravessa a narrativa, o vazio e a fuga das pessoas que temem a data limite, como os objetos que são deixados para trás. A visualidade busca mostrar também a precaridade e abandono que está a cidade, no que exalta a sobrevivência e o contexto dos personagens que cercam a narrativa, como também a estética de um ambiente nostálgico, com objetos que relembram a memória do cotidiano brasileiro. Sobre os aspectos psicológicos da personagem denota-se uma imagem de liberdade e audácia, no que foge do que é determinado socialmente e se permite a viver as relações sem medo do que pode acontecer futuramente. Enquanto o outro personagem, Marcos contabiliza o tempo que leva para fazer as coisas, com medo de perder o que está intrínseco na construção da sua identidade, no que utiliza objetos que demonstram a semiótica do tempo, como uso de relógio e suas anotações.








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